A CURANDEIRA DONA CREUSA

Comente este artigo!

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

alt

(Literatura de Cordel)

Dona Creusa era boa curandeira

Que tratava qualquer moléstia

Mulher nova, bonita e faceira

Ainda tinha o dom da modéstia



Podia o cabra estar nos estertores

Que ela dava um jeito de curar

Caído, sem ânimo ou com dores

Com jeitinho ela fazia levantar


Sua fama correu pelas terras

O que causou grande romaria

Com seus dotes cessou guerras

Que dizimavam famílias


O seu nome em todo sertão

Era uma só unanimidade

Dona Creusa fazia até serão

Sempre em nome da bondade


Ela se trancava com o doente

E fazia o bem acontecer

Um talento tão imponente

Que o cabra chegava a gemer


Cornélio, seu bom marido

Chegava a ficar preocupado

Sem saber motivo de tanto alarido

E porque o cabra saía tão suado


Chegou a sugerir a Creusa

Que cobrasse pela consulta

Mas ela dizia: “minha Deusa

Exige que não cobre multa”


Um time de futebol imenso

Recebeu pra na tabela melhorar

Foi um esforço tão intenso

Que passou o mês sem sentar


Com toda essa competência

E um talento sem igual

Sua fama ganhou potência

E chegou até a Capital


Lá na grande Fortaleza

O Governador a convocou

Queria conhecer a Creusa

De tanto que o povo falou


Foi com ela consultar-se

E ficou impressionado

Adorou de Creusa a arte

E também ficou curado


Ofereceu ao bom Cornélio

Um emprego abonado

E nem levou a sério

O seu jeito atrapalhado


Queria a Creusa todo dia

Para tirar-lhe a aflição

Assim, deu-lhe mordomia

E também um empregão


Assim terminou a história

Da Creusa curandeira

Que alcançou a glória

Mesmo desinteresseira


Saint-Clair Paes Leme – poeta de boteco pé-sujo e Membro da ABL (Associação de Bares e Lupanares).{jcomments on}